domingo, 30 de agosto de 2015

Linhas tortuosamente poéticas

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Mesmo com a mente vazia.
Para quem sente a fluidez,
é fácil fazer poesia,
quando a refleti com nitidez.

É como andar pela escada,
cada degrau compõe uma rima.
Os passos determinam o tema,
a um rumo sem dilema.

Poder citar detalhes minuciosos,
expor polêmicas e assuntos comuns sem pudor,
muito menos temer a crítica do povo.
Entretanto, é importante sentir das palavras, dias chuvosos ou calorosos.

O som de contornar o branco através de uma tinta, é magnífico,
ao mesmo tempo simples e especial.
As letras dançam ao som do pensamento ideal.
Ao deixar sempre uma dúvida nada pode ser feito.

Perante reflexos solares vindos da cortina,
ou uma luz artificial pela noite.
Os mecanismos mentais entram numa sina,
quase um estado mental de açoite.

Transpiram-se palavras num papel.
E quando inspirados em sumo?
Sua caneta é o juiz e a imaginação, o réu.
Junções tônicas de trechos em resumo.

De mãos dadas versos ganham sentido.
Animados ou não há de transmitir um espírito.
Conexões gramaticalmente involuntárias.
Um quebra cabeça com suas peças a serem montadas.

Sobre folhas amareladas, virtualizadas ou rasgadas pelo tempo.
Não há forma ou momento.
Versos datilografados na consciência.
Lembranças marcantes ecoadas refletem sobre a inteligência.

Como ciscos nos olhos, à reflexão lhe proponho,
ao acordamos depois de um sonho metafísico.
A fome nos consome  com uma sopa de letrinhas num livro.
Cada conjunto de versos um conto.

Sempre haverão dois lados,
duas escolhas, boas ou não.
Assim na vida e nos versos poetizados.
Mesmo guiados mais para um lado, tem de haver uma decisão.

É como uma neblina transparente que nos mostra a realidade,
nuvens negras em meio a raios e trovões.
Também uma luz radiante dilui a vida feliz de verdade,
diariamente profundas visões.

Produção: Março de 2015




quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Povo engravatado

(Pedro Paulo Marra)



(Foto:discorground.blogspot.com.br/2010/07/va-thrash-attack-do-brazil-2008.html)

A sociedade hipócrita se dilui num campo magnético,
pragmatismo aproxima-se do imã da estagnação social.
Povo com bons argumentos, mas na prática, patético.
Uma via de mão dupla com pensamento unilateral.

Diagnóstico impreciso e sem fundamento,
o que é o sistema quando não há respeito?
Manifesta-se um desejo de mudança ao pleito.
Do que serve tratar nossos monumentos como um mero pedaço de cimento?!

Vidros estilhaçados assim como vossa moral.
Há de ser sensato,
da mesma forma impor-se com saudosos atos.
Não há mais espaço para tal sofrimento anual.

Em plena democracia a opinião varia,
fale o que quiser,
ouça o que não quer.
Nossos valores, empoeirados nos tapetes engravatados sem alguma valia.

Um pequeno zíper na boca corrompe direitos.
O espirro corta as possibilidades de mudança.
Livra-se o bom e calado sujeito,
com pessoas sem ação pelos bares às falanças.

Domínio sem identidade,
Brasil... Um alarde,
como se os helicópteros fossem as moscas e nós, meros cidadãos, corpos a andar.
Estampado "Ordem e Progresso" pelas ruas, sem honra.

Urnas guiam seus ideais,
parece simples, difícil jamais.
Vosso poder é indireto,
e os pensamentos e ações, corretos?

O dia nesse âmbito obscuro fica frio.
A posteriori, sem brio.
Temos uma real função nesse Brasil varonil?
Somos enforcados moralmente pelos corruptos do Brasil.

Bandeira com chuviscos sangrentos.
Âmbito de duplo caráter,
essência política jogada pelos lados.
E qual a representatividade dos cadáveres?

Flamejam os olhares ao sol,
afogam-se aos rios de sangue.
Natureza não camufla nada, nem praias, lagos, florestas ou mangues.
Luz natural que irradia uma folhagem na mata do país do futebol.

Em meio a essa falta de oxigênio há uma luta.
Bombeiam indignados corações por hora padronizados.
Uma nação entupida de uma suja permuta.
Com muito suor nos orgulharemos de valores e por fim, estaremos fartos.


Produção: Março de 2015




quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sorrisos da infância

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: minhaamigamedisse.com.br/feliz-dia-das-criancas-2/#.VdZpO9VViko)

O brilho do olhar de uma criança não expõe seu futuro, porém, marca uma época.
Pode chupar quantos pirulitos quiser,
os dentes podem amarelar de pipoca em pipoca,
será sempre assim se Deus quiser.

Aquela camisa favorita,
mesmo desbotada transmite um zelo.
Apesar de não ser a mais bonita,
tão especial que era quase um brinquedo.

Inventar jogos, sujar-se sem receio...
Objetos marcantes virando amuletos,
após correr muito na fértil imaginação na hora do recreio.
A cama lhe espera exaltando mais um dia de vida realizando involuntariamente seus naturais desejos.

Criatura ilícita de seus atos.
Chegue à fase adulta,
implore por manhãs, tardes e noites bem vividas com alegria interrupta.
Cotidiano reunindo uma moral infantilmente satisfeita com o anonimato.

Objetividade percebida de longe,
aos olhos de todos, o garoto não se esconde.
Para quê? Se sua maior virtude é simples,
vivenciar uma fantasia, como querer ser o Homem Aranha, Batman, Super Homem ou Hércules.

Entre trapalhadas que apronta,
todos nós desejamos voltar a ser criança.
Época sem acerto de contas.
Era como se divertir não importando qual fosse a dança.

Produção: Fevereiro de 2015



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Uma bela ceia

(Pedro Paulo Marra)

(www.unicristo.com.br/a-ceia-do-senhor-o-significado)

Sob uma inquietude noturna,
a ceia colorida se dispensa.
Recompensas visíveis às luzes de uma admirável cena.
Singelo ato de olhar para o nada, mesmo ao amanhecer quando as tonalidades estão leves e cruas.

Ciscos dizem ao corpo se deitar.
Mas para quê? Se por outrora não poderá admirar.
Brilho de postes ao horizonte, carros que vão e vem.
Numa dessas janelas e sacadas, a calmaria suaviza a alma, sem desdém.

O que são latidos, gritos e choros?
Ouvidos seguindo as cordas vocais que vêm das cores.
Em meio a tudo isso seu corpo cansado, implora horrores.
Relaxe, descompromissado numa noite de sexta com seu gorro.

A escuridão sucinta seu medo,
ao mesmo tempo seu contraste com a beleza não pede arrego.
Justo estar de pé, entretanto, engatinha para o sono pleno.
Finalmente deita-se à cama sereno.

Nada mais há de se fazer nesses instantes.
A noite brilhosa lhe torna involuntária,
chega a não sentir os dentes,
nem menos seu antigo e pesado escapulário.

Toda lua tem suas fases,
cheia de minguantes, novas e crescentes.
Não sabe ao certo qual mais bela, sabe-se que atrai gente como a gente.
Seja em praças, bares, janelas e diversos lares...
Uma noite bem dormida antecede olhares.

Produção: Março de 2015



terça-feira, 11 de agosto de 2015

Frio como um lobo

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: livreandorinhar.blogspot.com.br/2013/02/a-fada-e-o-lobo-parte-ii.html)

Enquanto as veias saltadas explicam meu esforço,
caminho sozinho e ao lado um calabouço, querendo me engolir.
Mas não sou de desistir!
Pois minha selva de ferros enraíza minha vontade de persistir.

Quanto àqueles acomodados com seus limites, se perdem,
afio meus dentes como lâmina cortando as fibras que me engrandecem.
Cismado?! Não! Satisfeito quando o dia chega ao fim nessa grande guerra com fome de leão.

Bate o frio e escurece na floresta,
ambiente obscuro que para mim não interessa.
Caminho obstinado mas nunca com pressa.
Como um lobo na floresta, não vai adiantar de nada só uma reza.

Produção: Março de 2015





sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Um fantasma à luz de velas

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: beldadedaminhavida.blogspot.com.br/2011/02/eu-falo-ao-vento.html)

Querendo ou não, o baque é grande.
A dor, o sofrimento, aumentam as discórdias de um favor não realizado,
em abalo constante.
Só sei que é difícil ser amado.

Possa ser você o mais alegre e contagiante possível...
O olhar mais atento parece não te perceber.
É como diz a máxima terrível,
querer não é poder.

Podem cair cachoeiras de lágrimas ou...
Você se isolar em lástima.
O mundo dá voltas assim como as pessoas.
Ser natural não parece ser tão interessante mais...
É como preferir um mar florido ao pôr do sol do que uma simples tarde com os amigos na lagoa.

Aí que valorizamos as boas recordações da infância,
onde o fato de estar sozinho não era problema.
Hoje nos deparamos com a tecnologia, parece implicância.
Ah! Mas como é bom ver um filme alugado em casa sem ter que ir ao cinema.

Com veemência o reluto peita a inocência,
estando reunido de amigos de verdade.
Momentaneamente a alegria flui sem falsidade.
E que dias melhores venham para disfarçar sua ausência.

Noites mal dormidas acabam sendo corriqueiras.
Num instante parece ser besteira.
Paralisado sem foco numa cama,
o que falar quando se sente na lama?!

Carregado por injustiças,
indiretamente sentidas,
com medo de libertar os sentimentos,
passando uma imagem contraditória.
Sem querer... se sente desvalorizado,
esses sim são os piores momentos.

Produção: Janeiro de 2015


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vida, um cronômetro diário

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.letraherido.com/170401ac.htm)

Pode ser clichê mas não é mentira.
Todos devemos aproveitar ao máximo nosso dia a dia,
um esporte, gosto pelo trabalho, esforço com prazer e quem sabe uma nova amizade.
Digna de respeito a vida em sociedade.

A tristeza vem mas não é dispensável.
O que seria do povo sem discussão.
Sorrisos existem para esconder o tristão.
Porque viver de mentiras é deplorável.

Momentos sérios existem para termos foco,
por mais que seja inusitado, não iremos falar de finanças com o porteiro embaixo do bloco.
Atualmente contrariar o rumo da maioria virou comum, ás vezes só para aparecer,
todos querem ter sua fama desde bebê.

Crenças, raças, gostos, luxo, dinheiro...
Detalhes minuciosos para quem vê o outro por sua essência,
soltar risada por pura inocência.
Hábito pouco corriqueiro.

Dias em que brincamos o dia inteiro.
Quando tristes repensamos nossa aura.
Psicológico varia o humor, mas não perdura, nem se instaura.
Até quem tem uma bela vista se abala, coitado do praieiro.

Noção de amor a si mesmo.
Louvar a Deus diariamente.
Existir torna-se necessário mostrar a vida, os dentes.
Frequentemente sua alma recebe um auto batismo.

Vários caminhos a percorrer,
escolher o que ama tem valor.
Medo não há para quem sofre de amor.
Despreocupe-se com discernimento, isso é viver.

Produção: Março de 2015