quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Em areias escuras

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: reprodução)

Trovoou na terra do lobo.
Trovoou na mente do lobo.
As pegadas marcam suas raras passadas pela praia.
De onda  em onda, de trovões em trovões, o combate paira.

Vigia de sua praia,
onde já batalhou em matilha.
Hoje, apenas cuida de suas feridas.
Mas ainda é forte, luta pela vida.

Volta à floresta crente da calmaria da praia.
Mal sabe ele o que lhe aguarda.
A fauna de zonas temperadas está desesperada, 
louca para devastar sua matilha e sua laia.

É meu lobo, os inimigos estão pra cima de vocês,
melhor rosnar menos e morder mais dessa vez.
Porque se rosnar como nas trovoadas,
irá fatiar a carne temperada.

Produção: 22 de Outubro de 2015

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Uma prosa com o céu

(Pedro Paulo Marra)


(Foto: www.wallysou.com/2010/12/07/como-voce-se-converteu-a-cristo/)

Viajante dos ares, sou eu Fulano.
Viajante dos ares, sou eu Fulana.
Meu voo é plano,
mas é longo como criança brincando na lama.

Percorro esses ventos aéreos, 
de me tirar o fôlego.
De mostrarem vaga-lumes terrestres lá do alto.
Sem medo, não peço socorro.

Tais vaga-lumes se embaralham em minha visão.
Enquanto isso, a lua sobe para perto de mim...
Nesse céu em vão,
sou eu Fulano e Fulana, e não anjo de querubim.

Impulsiono minha viagem.
Parando de nuvem em nuvem,
do dia à noite.
flutuo sem dormir, logo, caio em pernoite.

Sobrevoo morros e montanhas,
os bosques se tornam pequenos, miúdos perto de minha Amazônia.
Num momento em que a lua me carrega de estrela em estrela,
vou de Hong Kong ao RJ, que beleza!

Voar não é tão perigoso assim,
porque aqui, sou piloto, sou passageiro, sou dono do meu fim.
Sou o próprio avião de uma ponta a outra nesse globo mental.
Seja num monomotor a um Boing, sou a rota ideal.

Ah! E quando passei pelo mar...
O dia via o que a noite é cega para lhe contar.
Vários tons de azul pude perceber,
além de lagos esverdeados, desses que vocês vêm na TV.

Agora leitor...
Estacione no pátio desse aeroporto sua história.
Porque Fulano e Fulana rodaram o mundo, e desembarcaram no amor.
Quem sabe seu voo não esteja na hora?

Produção: 2 de Outubro de 2015

domingo, 27 de dezembro de 2015

Ouvidos surdamente atentos

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: divulgação)

Ei!
Psiu, psiu, psiu, psssiiiiu!
Me ouça!
Minha voz não sumiu!
Me faça tirar a exclamação desses versos, não me jogue às moscas.

Estou num barril invisível.
Se possível,
jogue-o no mar sem exitar.

Lacrimejo minhas angústias,
levemente num choro mudo e pleno.
Alma murcha de corpo inflado por um amor pequeno.
De que adianta encher essa alma de alegrias sujas?

Compartilhar conquistas se torna indiferente,
nesses dias sem afeto,
quebra-se o elo entre a gente.
Diálogo nada concreto.
Agora, tudo é indiferente.

Porém, entretanto, quiçá, quem sabe um dia...
Mas não agora.
Tal amizade ignorada sem dar valia,
foi jogada fora.

Produção: 2 de Outubro de 2015

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A poucos passos do amor

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: divulgação)

Sobre o reflexo dos postes pela pista molhada,
você pára!
E me olha sem pensar em nada,
é agora, que eu hipnotizo sua fala.

Sem realmente pronunciar uma única palavra,
a circunferência de seus olhos paralelos aos meus.
Assim como a boca, agora de fato você "envidra", empedra, trava!
Mas não fique assim pelo amor de Deus.

Preciso de seu corpo violão,
para compor meus versos.
Demonstrar meu amor a ti, mesmo do outro lado da rua, me viro do avesso.
Porque imploro um contato, um beijo, mas que injustiça do cão!

Logo, consigo me descolar do chão,
estamos cada vez mais perto,
não chore não!
Porque eu te quero, e sei suas intenções, mas não sou fácil, alerto!

Sua pele vem e me amacia com uma leveza única.
A cada toque, quase erótico, algo você insinua.
Nosso calor se duplica nessa tônica,
sem precisar estar nua.

Produção: 2 de Outubro de 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Vozes e suas fases

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.igualmentediferentes.com/2014/08/21/a-voz-de-cada-um/)

Ela nasce junto de meus "gugu dadas".
Vozes maduras, só o tempo para lhe aperfeiçoar.
Experimentos rotineiramente entoados pelos agudos da vida,
com os acordes vocais engrossados numa juventude pouco desinibida.

Berro alto para o nada,
para que só eu ouça meus aborrecimentos.
De qualquer forma, sou um detento.
Meu cárcere me corrompe por dentro, imploro liberdade, a fim de ao mínimo sussurrar uma única palavra.

Nesse instante, batem na porta, 
quando atendo, é ela, a mais desejada.
Ta aí, a maturidade que me faltava.
Sem ela, minha voz agora estaria morta.

Logo, solto meus versos e minhas rimas.
Os batuques de meu coração se inflamam pelas veias,
sou outro corpo, sou outra voz, tenho outra alma.
Ufa! Me livrei desses traumas.

Não digo isso tudo por causa de meu aprisionamento vocal,
até já fui mais radical.
Entretanto, hoje a timidez com o público, com retaliações, preconceitos, se desmancham em meu muro.
Minha casca engrossou, lhe asseguro.

Produção: 25 de Setembro de 2015

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A 30 metros do povo

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Rafaela Feliciano)

Entre liminares ao longo dos anos,
tal desocupação da orla do Lago Paranoá é oficializada num papel.
Diálogo entre GDF e Ministérios Público do DF e territórios conclui tal imbróglio, e decidiram: "Cercas e muros? Derrubamos!".
Para alguns, decisão cruel.

Um píer, uma quadra de esportes, não derrubados em prol do bem social, se tornam indiferentes.
Agora... Cá entre a gente,
enfim, o brasiliense é da Península dos Ministros, dos Lagos Sul e Norte.
Para o bem do povo, poderios latentes.

GDF e MPDFT, essas siglas encheram o prato da mídia.
Reuniões com comunidades, de que adiantou se a justiça reinaria.
Imagine documentários sendo gravados, mais pessoas praticando esporte, a beleza da orla merece ouro e não bronze.
Enquanto isso, máquinas são vistas de longe.

E me desculpe madame pela retirada de seu belo chafariz,
porque a orla do Lago Paranoá agora é oficialmente pública.
Assim como na liberdade de locomoção nos pilotis, abrem espaço às demolições da Agefis.
Espero pouco para ouvir sons "orlanistas", vindos de turistas, "candangos do entorno" e até de pássaros planando nessa república.

Produção: 24 de Setembro de 2015

sábado, 12 de dezembro de 2015

Papéis, papiros, fora de mim folhas urbanas

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Menino do campo, revoltado na cidade.
Papiro, não sou mais sou mais seu amigo!
Te jogo da janela invisível com toda minha vontade.
Nesse tortuoso e complexo caminho, você agora é passado, é antigo.

Jogo na reta do destino meus problemas,
minhas angústias.
Me livro, ufa!
Agora, estou longe desses dias escuros e sem ternuras.

Socialmente encravado,
era da rotina incessante de trabalho,
mas não sou mais disso tudo, um aprisionado.
Busco um atalho.

É dessa terra vermelha que sinto saudade,
de um frio agradável à minha epiderme.
Memórias gravadas eternamente na minha lápide.
Viro humano, não mais verme.
Produção: 14 de Setembro de 2015

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Poetizando seus passos

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Poesia?
Sim, faço poesia.
Assim como o vento guiando seu frescor.
Começo sem rima porque agora você samba nos meus versos.

Mexa-se!
Pense!
Livre-se!
Mas ratifique-se, porque aqui não tem bobice.

Logo aqui estou, nesse belo luar,
malícias de um amor pelo molejo,
é isso que me faz te acompanhar.
Rodar o quadril pelas beiradas e prosear num café da manhã comendo goiabada com queijo.

De um lado para o outro, você me envolve.
Até na cama que serve para dormir você pula,
atire alegria apenas como metralhadora e não como revólver.
Esse é o remédio da vida, leia a bula!

São colocados numa rede seus aborrecimentos, apesar disso, lamento...
Quando voltar de minha festa, os mesmos irão lhe confortar quando nela se deitar.
Não cochile muito, porque a agitação de minha terra vai te enraizar.

Queres um passo doble de risadas? 
Ou um olhar sedutor descendo as escadas?
Você é meu, você é minha, sou dono de seu gingado!
Sou a prosa poética fazendo até mesmo um gringo sambar sem estar envergonhado.

video

Produção: 9 de Setembro de 2015



sábado, 5 de dezembro de 2015

Fui da guerra, sou da guerra, serei da guerra

(Pedro Paulo Marra)


O halter cai,
o ferro ecoa na mente,
você empurra suas desculpas esmagando seu peitoral num fly.
Enquanto aos derrotados, tremem os dentes.

Berrando alto,
Por dentro, você se ignora, lamento...
O descanso ser seu maior tormento.
És um bodybuilder de fato!

Sim, você está tonto.
Seus olhos querem saltar para fora.
E não, você não está pronto,
até rastejar de dor na academia quando for embora.

Qual esporte é mais injusto?
É você contra seus egos, contra sua ignorância.
Te esclareço caro leitor, leigo ou culto.
Se puder, o bodybuilder vomita a petulância.

E quando a surdez do "exagero" vem à tona?
Seu rival no esforço perdura como numa maratona.
Corra sem pressa, evidenciando seu maior coro popular...
Estar sempre no jogo.

Nessa ambiência de pedras te esmagando,
molde a reviravolta, mesmo que não possa.
E aguente o tranco.
É aí guerreiro, que sua casca engrossa.

Produção: 1º de Setembro de 2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O ato da depressão

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.a12.com/jovens-de-maria/noticias/detalhes/depressao-na-juventude)

Nesses momentos de reflexão,
sou da lua, sou das sombras cinzentas, dos pinheiros, e também da escuridão.
Sozinho nessa constante interrogação,
Parece estranho mas, como poeta gosto da depressão.

Muitos pensamentos vêm e vão.
Tenho apenas algumas horas para descansar,
na sublime solidão.
Escolha inconsciente, é de se questionar.

Numa coragem latente,
e âmbito frio, é indolente.
Esse é meu atual estado mental.
De trovoadas mudas que confundem meu temporal.

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Produção: 28 de Agosto de 2015