domingo, 31 de janeiro de 2016

O céu também chora

(Pedro Paulo Marra)
(Foto: Divulgação)

Pingou no lago, a gota em silêncio.
Que não era para pingar.
Lágrima derramada na cachoeira de seus cílios.
Entre as nuvens, Deus lacrimeja.

Chora pelo caos.
Dos mesmos seres maus,
pecadores, de falhos ensinamentos.
O céu não é mais tão azul como nos bons tempos.

É... Pingou.
E vai continuar pingando.
A cada vez que alguém esteja implorando.
A um passo do céu, se espatifou.

De uma moderna Idade Média.
Onde a burguesia ainda impera plena.
As minorias buscam ferozmente solucionar seus dilemas.
Claro, falta ética.

Quando o clero julga o incerto.
Melhor guerrear ou pelejar?
As trovoadas sombrias deixa o mundo inquieto.
Sedento por matar.

Ódio, luxúria, gula, tudo por morte.
O motivo dos pingos, o crime.
Deus treme a terra lá do céu, todo radical e sublime.
Porque a raiva lhe pegou de susto, azar do lado "forte".

Na Segunda, o tempo é bonito.
Na Terça, caído.
Quarta, é polido.
Sexta, Sábado e Domingo, indiferente, enganoso aos limbos.

Polido de ternuras, o céu de Deus irá perdurar.
Logo ele, que ressuscitou ao terceiro dia.
Do codinome Messias.
Buda, outra testemunha de Jeová.

Assiste a isso tudo, o Capeta.
Ó Deus, mas que mentes ceguetas.

Produção: 5 de Dezembro de 2015

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Rumo ao infinito

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.gettyimages.pt)

Rumo ao infinito, Nilo queria ir.
Vagou por essa casca de árvore sem desistir.
Láááááá em cima.
Até o clarão perto da colina.

Sua pequenez, de uma mera formiga,
não faz jus ao tamanho de seu nome.
Eres um animal com crença desinibida.
Em meio a essas obras do homem.

Nilo procura.
Nilo instiga.
Nilo quer saber o que há naquele clarão?!
Traça possibilidades em solidão.

O galho balança.
E Nilo sugere mudança.
Quer chegar lá em cima a todo custo.
O sol chamativo, consigo é justo.

Todavia, Nilo chega perto do alto. Novamente em solidão,
se questiona em lástima.
- Por que aqui tudo é colorido e lá não?.
Enquanto a copa está próxima.

E então, Nilo descobre a razão.
O céu existe, mas para ele não.
Nilo, caro leitor, é o colorido dessa árvore.
Não gosta desse clarão, por ser de um marrom, preto e de um exuberante verde.

A cada balanço de galhos.
Nilo descobre novas luzes.
Agora sabe porque depende do céu cheio de nuvens.
A fim de matar a sede de seu tronco pálido.

Árvore de um animal só.
De um sonho só.
De só 1.
Nilo.

Produção: 30 de Novembro de 2015



sábado, 23 de janeiro de 2016

Hélio incrédulo

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Bengala atrás de bengala.
Com sua boina segue.
Hélio matuta isso tudo, sobre o cerne.
Por quê essa distorção me indaga?

Estava apenas passeando no parque,
com meus netos brincando pelo bosque.
Curtindo meus 70.
Enquanto eles somem.

Será que é agora?
Que sumo.
Que para sempre irei embora?
Mas não tenho rumo.

(mil moscas entrariam em sua boca de tanto espanto).

Largarei filhos e netos, apagará a chama?
Da amizade de aqueles, comigo desde a infância.
Minha senhora, me chama?
Hélio, caro leitor, é apenas mais um escolhido, sem petulância.

Porque foi chegada sua hora,
sem regalia.
Assim como nós um dia.
Na fila da surpresa lastimável.
Para alguns, indesejável, para outros, aceitável.

A porta do céu se abriu, distorcendo sua história na Terra.
Hélio, foi um de meus leitores.
Circundou minha mente nessa prosa poética, em horrores.
Me desculpei a ele, mas o clamor à vida nesse momento Hélio...
Não impera!
Disse a ele.

Produção: 5 de Dezembro de 2015

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O navio zarpou

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Reprodução)

O navio zarpou, e ela ficou.
Ficou remoendo,
 remoendo o amor que a deixou.
E aquele vinho tinto, só ela estará bebendo.

O país clamava por honra na guerra.
E a esposa do soldado, só.
Nessa ilha quase deserta.
Ai da raiva subir à cabeça, chega daria nó.

Os dias se passaram se passaram, e chegaram...
Mais três dias para se passar.
A mulher do soldado estava por desistir.

No dia seguinte pela manhã, ele mandou uma carta.
Com uma mensagem de conforto e calma.
A guerra estava no fim, mas ele demoraria para voltar.
Enquanto a gota de choro caía lentamente, ela só podia lamentar.

Ilustre Dama da Ilha, não cabe a ela esperar.
Se passaram quase dois anos, guerra civil.
Segundo a tradição, nessas horas amor não há.
O rancor e a saudade se misturam como vinho tinto num barril.

Mas ela rompe com a tradição.
Esperando sempre pela noite, quando as navegações chegam.
O barco chegou, e ela doida por ele nessa multidão
"Se foi", disse um soldado.
Ganharam a guerra, mas dela, tiraram uma paixão.

E a cada noite ela vai para janela olhar o horizonte.
Reza pela alma de seu eterno amor.
E que um dia lá em cima, o encontre.
Estando longe desse navio que zarpou.

Produção: 24 de Novembro de 2015

domingo, 17 de janeiro de 2016

Lúcida de sonhos

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Reprodução)

Uma moça, Carmen.
Adora crepúsculos.
Sim, crepúsculos.
Daqueles entardeceres que demoram, mas se partem.

Lúgubre de suas razões,
não de suas emoções.
És carne, osso e fantasma, tudo ao mesmo tempo.
Moça especial dessas águas de vento.

Louca para pular de novo em seu passado.
Mas não pode mais.
Está presa em sua própria ilha, incapaz.
Porém, existe atalho.

Pelo ar, seu véu voa.
Entretanto...
Disso ela mal sabe, ó tola!
Uma pena não poder pisar mais nessas águas, acabou-se o encanto.

A morte lhe amaldiçoou por esse mar severo.
Não poder tocá-lo a deixa num semblante incrédulo.
Pode mudar isso.
No mar de Malício, seu amor esquecido. 

Mas até hoje de nada sabe sobre seu eu.
Está como estátua aos entardeceres.
Momento do dia em que morreu...
De amor, por assim dizeres.

Produção: 24 de Novembro de 2015

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Folhas da capital

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Pedro Paulo Marra)

Minhas folhas, são as da capital.
Das asas e lagos sul e norte.
Sou de Brasília num geral.
Ter nascido aqui foi um plano piloto de sorte.

Vagar por essas SQS's, SQN's, Qi's, Ql's é uma satisfação.
Juntar as pontas dessa cidade que mal cabe no meu coração.
Quem diria eu, um jovem de 19 anos homenagear essa cidade,
e versar à flor da idade.

O brilho desse sol de cerrado batendo no Lago Paranoá,
faz minha admiração por essa cidade parar no ar.
Onde também parei em frente a Torre de TV.
E o que mais me dá prazer BSB, é somente olhar você.

Nesse Eixão de mão dupla, 
me preocupa não poder ser eterno.
Em atravessar minha última passagem subterrânea com grafiti no teto.
Brasília, imploro essa permuta.

Que nem suas chuvas secamente molhadas.
Que nem seus artistas de rua nos semáforos e calçadas.
Que nem eu, Pedro Paulo de Carvalho Marra.
Brasília, você é minha mais bela miragem.
E nunca fui tão refém de seu maior plano, ser piloto de minha viagem.

"Candangar" cada vez mais meu jeito de ser.
Nessa Ermida movimentada Dom Bosco nem esperava, ver bares cheios de lazer.
E pilotis confortáveis a quem conversa.

Espero ainda poder pular muitas vezes nesse lago burocrático.
Que me faz rodar a cidade atrás de uma rima fácil.
Nesse barco do Paranoá quero mais é conhecer gente e mais gente, sem zoa.
Reencontrar amigos e dizer: "Eae véi, de boa?".

Produção: 25 de Novembro de 2015

sábado, 9 de janeiro de 2016

Disso tudo, fujo

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Descabelada nessa indecisão.
Sem motivo para parar.
Helena foge de seu passado, em solidão.
Ela não quer mais saber de se apegar ou se desapegar.


Escapa da judiação da seca.
Civilização digna é o que ela implora nessa incessante correria.
Busca outras terras, menos batidas do àquelas de um dia.
Relata ela, separada, sem filhos, sem responsabilidades, na sina por uma terra "asfaltadamente" preta.

Sobre as coisas de antes, não mais lhe importa.
Menina moça, de comportamento imaturo, é indecisa, mas sem pudor em dizer não.
Helena foge de seu passado em solidão.
Rasga o vento afiado de rancor, numa angústia dolorosa.

Helena usa dessa correria de suas dúvidas sua solução,
de quem sabe ser livre e quer ser forte.
Hele foge de seu passado, em solidão.
Mesmo que isso tudo passe em pernoite.

Quanto à fome, nesse quadro de alerta, diz sentir mais nada.
Somente quer sentir outro chão.
O vento fica fraco, mas ela não.
Corre por essa rota sem rumo, desesperada.

Helena foge de seu passado, em solidão.
Em solidão de si mesma, de suas turbulências, de se sentir necessitada.
Mas de uma coisa só Helena sabe, e está em sua mão.
Sua grita interna tem uma explicação, as marcas de quando fora judiada.

Helena, caro leitor.
É uma escrava dos tempos modernos.
Sabe que precisa de algo, mas não sabe os porquês desses momentos.
Sua maior liberdade é estar longe desse pretérito desertor.

Vocês não enxergam o rosto de Helena por sua simples ideologia de vida.
Passar por tudo isso despercebida.
Por isso que seu sermão...
É fugir de seu passado em solidão.

Produção: 4 de Novembro de 2015


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Simplesmente versando

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Reprodução)

Um ar de inspiração que passa à sua frente,
o faz admirar.
Instantaneamente ele a deixa voar.
Mesmo de longe, a tasca com os dentes.

Esse homem de óculos quadrados,
vestimenta casual,
poeta por natureza está encucado.
"Escrevo ou dialogo com esse pessoal?"

Não és vosso redator nem sequer redator-chefe, e nada cura.
Irmão do jornalismo, cunhado de Itabira e filho da literatura,
esse homem é Carlos, é Drummond, é de Andrade, é seu!
Além de tudo, completa seu vazio que nunca desapareceu.

E quanto à poesia?
Ah! Enquanto você lia, lá de cima mais uma ele escrevia.


Produção: 31 de Outubro de 2015