sábado, 27 de fevereiro de 2016

Na ponta da inspiração

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Reprodução)

Pode estar toda rabiscada.
Pode estar toda suja.
Pode ser num guardanapo de um bar lotado.
Até mesmo no vidro embaçado do box do banheiro, todo úmido.

Pode ser em qualquer lugar.
Escrito ou digitado.
Só não pode escrever por escrever, nem digitar por digitar.
Tem que apenas ganhar vida, ta ligado?!

E não precisa ser assim ou assado.
Nem triste ou feliz meu chegado.
Só precisa virar uma coisinha.
Poesia.

Produção: 18 de Janeiro de 2016.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Não me postes em dúvida

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.salvedeus.com.br)

Me esclareça uma coisa.
Quando que saio daqui?
Hein! Poste maldito, ai de ti!
Se fico mais duas horas esperando esse ônibus, nessa madrugada louca.

E não fique piscando assim quase apagando.
Porque não tenho fósforo.
Sou quase uma presa nesse mato todo.
Já fumei toda a cartela, você já olhou para o meu olho?
Acho que não, seu magrelo inútil.

Quero só ver dois faróis acesos e não duas lâmpadas num escuro puro.
Ouviu?
Acha que estou maluco?
Pois estou mesmo, para quem numa enorme pobreza, nunca sorriu.

Agora, sou companhia de um poste.
Que para mim, fala.
Melhor voltar a ser porteiro, catador de lixo, ou outra profissãozinha em que você rala!
E o poste disse: "Comporte-se!".
O que?
Você falou comigo?
Pode "crê!".
Agora mesmo que não serei sua companhia, quiçá amigo.

Poste ou não goste de ser amigo do poste,
aquele fumante se dispersou no primeiro ônibus que passou.
E note!
Que em nenhum momento falei que 1 cigarro ele tragou.

Produção: 18 de Janeiro de 2016.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Madrugada solitária

(Pedro Paulo Marra)


(Foto: www.pazfabiana.blogspot.com.br)

Pingava muito.
Enquanto, Maria guardava a chuva.
E o trem das 6:30 perdido no mundo.
Maria acordou cedo, 5h, já calçadas as luvas.

Ao tom de pingos, caminhou 10 quilômetros.
Não aguentou esperar a chuva passar.
Para quem acordou junto dos pombos,
Maria tinha algo a encontrar.

Guilhermo, camponês do interior da França.
Desde os tempos de escola,
eram mais do que amigos quando crianças.
Até que a vida os sucumbiu, Maria foi embora.

Hoje, passados 7 anos, vão se ver novamente.
Ela viajou num frio de bater os dentes.
Ao deixar sua mala pelo chão entrou na casa de Guilhermo e o beijou...
Sem fazer planos.

Passaram uma semana juntos.
Ela, de férias de seu emprego de modelo fotográfica, 
não podia reclamar de nada.
Era um afago entardecer com massagem nos pés sobre picos cinzentos.

E a cada noite era como capotar de um sonho.
Realidades distintas.
Paixões iguais, quase medonho.
Como uma caneta sem tinta.

Voltando desse sonho, ainda permanente no imaginário,
ela chorou por dentro.
Mais que a chuva que guardou lendo o vento.
Num amor quase deixado ao calvário.

Agora, Maria faz poses não só para cliques.
Agora, Guilhermo cultiva não só para produzir.

Mais 1 semana seria mais do que o suficiente para os fazerem sorrir.
Maria e Guilhermo, a várias madrugadas sem amores.

Produção: 12 de Janeiro de 2016.




terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Assassina de notívagos

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: sil-infinitoparticular.blogspot.com.br/)

Ela guardou a chuva.
Só para ela.
Molhou seus passos de Cinderela.
Lisa como papel, é ela, Lunna.

Caminha nesse feriado de chuva.
Permeada por galhos secos.
Num clarão, com seu aroma de uva.
És moça de desejos.

De deixar amores pelos cantos do mundo.
Por si só já é uma bela vista.
Aaaah! Essa magrela, é como a dama do vagabundo.

Te deixa louco, pior, um vagabundo sujismundo.
A ponto de querer entrar em sua tempestade.
Seguir seu reflexo, querer amá-la de verdade!
Mal sabem esses tolos que Lunna é assassina de vagabundos.

Seu guarda-chuva não é vermelho à toa.
Ali, ela pinta com o sangue de quem diz amá-la.
Lunna não dedica seu amor a qualquer pessoa.
Ela ama quem perto dela se cala.

Como em O diabo veste prada, Lunna segue sua caminhada.
Terrível com os bons e ótima com os neutros.
Teve infância sofrida na fábrica de seu pai,
metalúrgico alcoólatra, gastador de euros.
A punição mais severa era estar perto de ser enforcada.

Vive sozinha, vagando pela Europa.
Já foi de Lisboa à Moscou.
Hoje, não vê mais graça matar à toa.
Se vê desarmada de seu passado que a depreciou.

Virou uma andarilha.
Fora das capas de jornais.
O maior crime agora é cair em sua própria armadilha.
Olhar para um belo rapaz.

Produção: 5 de Janeiro de 2016.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Instinto

(Pedro Paulo Marra)


(Foto: Pedro Paulo Marra)

Dizem que é você contra você, todos os dias.
Para mim, é a cada segundo.
A cada segundo em que me pergunto.
Você vai mesmo querer ficar nas ruínas?

Se amo essa escuridão da dor, creio que não.
Meu labor é necessário!
E vem com ardor, muito ardor meu irmão!
Para que haja sempre a busca pela glória, que não é temporária.

E a sinfonia das polias, halteres, anilhas e esforços em forma de gritos...
Me alimentam.
De certo modo, não me espantam.
Quero só fechar os olhos e tapar os ouvidos.

Como sem fome.
Porque tenho outro tipo de fome.
Na pegada de um bom rock, esmagar fibras é elementar.
Além disso, vomito se for preciso, quiçá sangrar.

Ouvir essa escuridão hipertrófica, com o corpo quente e úmido.
Impulsionar minha visão para onde nem sei...
É único!
E mancar de volta para casa num leg day.

Isso tudo que chamam de exagero.
É amor.
E estou pouco me fudendo para sua falta de fundamento meu parceiro!
A arte é livre,  e o artista de sua vida é um milagroso.

Agora, tenta passar 24h assim, tenho certeza que você vai ficar louco.

Produção: 29 de Dezembro de 2015.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

C ruzando com B ola F urada

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Reprodução)

Lá estão eles por seus salões, em belos trajes,
em festas de gala.
Esboçam priorizar patrocínios de todas as partes.
Isso é CBF cara!

Agora, não me venha com essa papo de que...
O futebol está morto com isso tudo.
Porque não está, ele apenas está mudo.
Jogado pelos botecos numa água com chope.

Raça não falta.
Técnica não falta.
Razão.
Isso sim, faz falta de montão, como já diria o torcedor mirim.

Num gol perdido, torcedores irão sempre ranger os dentes.
Num golaço aos 45 do 2º tempo estarão chorando por amor.
Atualmente, chorando às vezes...
Melhor dizendo, sempre!
Por horror.

Sair pelas laterais rumo ao túnel enjaulado.
Não parece ser um ato bem pensado.
Fugir ou se entregar? Eis a questão.
Para eles, o que importa é a grana na mão.

E a isso tudo que fura a bola de quem se arrepia na arquibancada, uma coisa impera.
Siglas não simbolizam o amor à bolinha correndo pelo gramado.
FIFA, CBF, CONMEBOL, CONCACAF, etc.
A Copa é do Brasil, o Regional é dos estados, o Brasileiro é do brasileiro, e o futebol é do apaixonado.

Coletiva de imprensa mais justa, a delegacia.
Função no clube mais justa, pagar a dívida.
Ser funcionário da Seleção Brasileira de Futebol, lucro.
Apelido disso tudo, ladrão corrupto.

E assim vão eles, lucrando sobre a cal sofrida das divisões minoritárias dessas nação.
Os gritos e cantos imploram amor professor.
Ta aí o cerne da questão.
Cravar nas gravatas somente o broche verde e amarelo.

Produção: 3 de Dezembro de 2015.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Uma madame largada

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Reprodução)

Profundo e raso ao mesmo tempo.
Assim foi o nosso amor.
Madame marítima, a dor me corroê por dentro.
Com um ardooor.

Uso de seu corpo nossas recordações.
Desde nadar em lagos escuros,
Em poços noturnos, (daqueles que você mais gostava),
e até te servir às paixões.

Estou submerso sobre você.
Sobre seu corpo.
E afeições lindas de se ver.
Caí em seu horto.

E você não pense que estamos longe um do outro.
Sou a onda e a maré que agora lhe acata.
Minha madame, não fique largada!
Piratas enlouquecidos querem seu tesouro.

Netuno me contou de sua varanda aquática,
cheia de corais, ostras e peixes.
Me deixe ser o mergulhador dessas águas lunáticas.
E sentir a brisa dos navios e barcos por meus feixes.

Tens uma sutileza singular,
hormônios delicados pelo mar.
Espero que nunca, mas nunca seja soterrada.
Para que...
Minha madame, não fique largada.

Tens uma sutileza singular,
hormônios delicados pelo mar.
Espero que nunca, mas nunca seja soterrada.
Para que...
Minha madame, não fique largada.

Produção: 23 de Novembro de 2015.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Roncou? Morreu!

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Sono.
Ronco.
Seguido de morte.
Sono.
Ronco.
Seguido de morte.

Sono.
Ronco.
Seguido de morte.
Sono.
Muitos roncos.
Seguidos de muita morte.

Mas muito sono mesmo.
Não ronque!
Sono pra diabo!
Já está crente que queres roncar?

Daquelas de ficar sentada.
Num balanço de céu.
Assim, está Raquel.
Mas não pense em ficar ao seu lado.

Ela não tem medo de cair.
Porque é a própria morte.
Não estrelou nenhum Atividade Paranormal, nem O Chamado, ó Milorde.
É do mundo surreal pouco prestigiado, sem sorrir.

Agoniza sangue, isso mesmo.
Sangue mermão!
Mordendo os lábios com seus dentes de tubarão.
Está só a espera de um psiu para afastar-se do medo.

Foi enfeitiçada pelo pecado.
Contrabandeou droga junto de um namorado, foragido, sumido e perseguido.
Trouxeram-na para cá de sua cama.
Com seu pijama, espera os outros 4 bandidos para pagar sua pena.

Quer liberdade em troca de um longo sono.
Enquanto isso, voa com sua alma aterrorizando as pessoas.
Caro leitor...
Leia depressa essa prosa poética, porque Raquel pode te envolver, e aí pronto!
Como os corvos de Hitchcock, seu ronco irá bicar suas cordas vocais...
Em seguida, não terá uma notícia boa.

Produção: 5 de Dezembro de 2015.