terça-feira, 29 de março de 2016

Janela Infeliz

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Ela chega toda alegre.
A borboleta de Emily.
Pena que não podiam se falar.
A menina, de castigo, só sabia chorar.

Foi mal numa prova da escola.
Com a borboleta não podia brincar.
E essa janela com pingos, não eram de chuva.
Mas sim, choro, dá para acreditar?

Só ela não se tocava.
A borboleta.
Que veio todas as tardes visitá-la.
Até acabar a punição dessa pobre garota, que era cegueta.

Produção: 18 de Fevereiro de 2016.

sábado, 26 de março de 2016

Uma noite no Oceano Ventânico

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Vento de maré.
Barco de vento.
Cochilava junto da lua o barco de Seu Zé.
Senhor de 70 anos, navegador de talento.

Soprava sua proa,
que ventava à toa,
nesse Oceano Ventânico.
Seu Zé chega roncava, nunca entrou em pânico.

Os peixes, eram como amigos.
Sua vela, como o cajado de Moisés.
O mar, todo aos seus pés.
E a lua, com cara de águia, avistava de bico.

Produção: 18 de Fevereiro de 2016.

quinta-feira, 24 de março de 2016

No pier de casa

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.olivrodosdiasdois.blogspot.com.br)

Todo fim de noite,
a lua cheia, o corvo e ela.
Grilos cantavam, pinheiros balançavam, e a forma das nuvens mudava a todo instante.
E a ave, oráculo de Tâmila.

Conversavam sobre a redondeza.
Se iria chover no próximo dia.
Qual homem a beijaria.
Até se ela caísse na represa.

O frio de quase bater os dentes, problema não era.
Tinha que voltar para casa.
Esquentar o leite, e ficar olhando a lua da janela.
Aliás, para uma vigia da represa não lhe preocupava ser a caça.

Produção: 18 de Fevereiro de 2016.

domingo, 20 de março de 2016

PRaELIMINAR

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Cheguei em casa, e ela na cama.
Sentia o cheiro da preliminar.
Imaginava a cena.
Minha sombra pelo corredor já fazendo ela se excitar.

Mistura louca.
De querer tirar logo a roupa.
Mas também, querer ir devagar.
Afinal, era uma preliminar.

E a cada passo nesse corredor demorado.
Chegando à porta do quarto,
já imaginava ela.
Com filetes de roupa pelas partes, num naipe de donzela.

Quando a metade de mim estava à sua vista,
já era!
"To cansado do trabalho", que frase é essa?!
Para quem no olhar já dava pistas.

Pistas do quão quente estava ficando aquele quarto.
Do quão quente aquela noite foi.
Cabelo macio de rosto marcado.
De beijos é claro.
E tudo começou depois de um oi.

Massagens perfumadas.
Amassos pela escada.
Que noite vivia aquela casa.
E olha, que era só a preliminar hein minha amada.

Produção: 17 de Fevereiro de 2016.


terça-feira, 15 de março de 2016

Sono poético

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Em sua cama imaginária,
a poetisa contou letrinhas.
De uma em uma, de consoantes e até vogais.
Assim fez, imaginando palavrões e palavrinhas.

As que não pulavam a cerca ficavam no papel,
até que de tanto sono caiu pra trás.

Produção: 17 de Fevereiro de 2016.

sábado, 12 de março de 2016

Instante entardecido

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.meupapeldeparedegratis.net)

Batia uma daquelas brisas.
De fazer cócegas no bico da gaivota.
E para entrar nessa maresia,
não precisa bater na porta.

A sinfonia das ondas dão o tom.
Tão bom ouvir esse som.
De acordeões delicados.
Também de um violão, do artesanato.

Assim, a gaivota anda devagar pela pedra.
Bicando o vento que vem da maré.
Num céu rajado, observa ela.
Longe de estar doida para dar o pé.
Ou melhor, bater as asas.

Este simples animal já se sente o dono da praia.
Voa no imaginário.
A ponto de querer ficar ali parado.
Para sempre, o que agora é sua laia.

Produção: 22 de Janeiro de 2016.

terça-feira, 8 de março de 2016

Pingos de Réveillon

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.osmais.com)

Como de praxe.
É ano novo, e a ilha toda tradicional.
Num frio até que normal.
É Réveillon em Kalash.

As luzes das casas estrelam a cidade.
Os bondinhos viram lentos vaga-lumes.
Barcos e navios esperam os fogos, como de costume.
Todos alegres, a vanguarda e a mocidade.

Igual a um quadro.
Com cada detalhe pincelado.
Luz e sombra em sintonia.
Assim como os minutos e segundos dessa ilha.

Crianças brincam molhadas como a pista.
Enquanto uma tempestade está por vir.
Diz a tradição que se chover forte antes da virada, o ano será de poucas alegrias.
Embora a animação do povo persista.

A 5 minutos da virada.
Medo e euforia se misturam em olhares para cima.
A 1 minuto, a esperança é só de quem acredita.
Ilha essa, que numa guerra foi quase toda destruída.

Reconstrução demorada.
Igual aos pingos que caíam sobre a calçada.
Somente os mais velhos acreditavam naqueles 30 segundos.
Sorte da cidade chuvosa, em...
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1...
Não ter caído o mundo.
Produção: 3 de Fevereiro de 2016.

domingo, 6 de março de 2016

Feira de vícios

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Reprodução)

Sem os cabelos do corpo.
Quase que nua.
Num olhar depressivo, parada na rua.
À espera do fim disso tudo.

Sombra iluminada.
Fios cinzentos jogados pela calçada.
Com seus sentimentos guardados em suas partes.
Virou estátua da praça de sua morte.

Era conhecida em sua vila.
Não passava despercebida.
Cultivava legumes e frutas.
Onde vendia na feira das ruas.

Sempre falavam com ela pelas janelas.
"Dolores, amanhã compro de ti", diziam os vizinhos.
Mal sabiam eles o quanto devia aos Panelas.
Assim chamados os organizadores da feira, que rolava todo Domingo.

E ela, doida por vinho devia muito.
A ponto de dever barris e mais barris.
Não conseguia sustentar seu lucro.
O que diante de seus gastos eram simples "plofts" num chafariz.

Passaram-se 6 meses até que não aguentou.
Sua fama subiu à cabeça.
Dever era um percalço para piorar a mesma.
Até trocou vinho pelo rum, o que também enjoou.

Um dos Panelas a chamou para tomar um chá.
Andando pela rua quase escura,
Dolores bebeu chá envenenado, quando ficou interrupta.
Toda nua e crua, igual na imagem disposta.

Se desfez diante do vento frio que fazia.
Pagou por seu vício toda sua dívida.
Agora, a feira não era parcelada pelos comerciantes.
Uma revolta os fez lutar por Dolores, rica de amantes.

Feira das Ruas, mais tarde...
Feira Dolores.

Produção: 20 de Janeiro de 2016.


terça-feira, 1 de março de 2016

De volta para casa

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: www.ultradownloads.com.br)

Todo dia, na avenida principal.
Os mesmos olhares se rendem ao cansaço.
Olham para uma rotina anual.
Sina entre o olhar e o nada, um bom laço.

Carros, são como glóbulos vermelhos.
E as motos, glóbulos brancos.
Pessoas se tornam as veias desse instante.
Olhares esses, do povo dentro do ônibus, desde idoso à gestante.

Chegar até o lar, um sonífero natural.
Pensar em nada é tão bom,
para quem labutou horas num escritório ou num trabalho braçal.
Buzinas e barulho de motor, esse é o som.

Alguns cochilam.
Outros, tentam.
O bom mesmo é passar a mão nesse vidro embaçado.
Olhar lá fora e constatar nada de inusitado.

Tédio?
Não é tédio.
Essa é a sensação de voltar para casa.
Como um vaso quebrado, mas com planta.

Headphones.
Livros.
Passageiros "zapiando" com amigos.
E o ônibus e as paradas cheias, de mulheres e homens.

Aos poucos a avenida vai chegando ao fim.
Vão puxando as cordinhas.
Todos no tédio? Quase. Todos exaustos? Claro que sim.
E a rotina de amanhã? Igualzinha.

Não há polícia ou acidente que mude.
Não há ambulância ou ônibus quebrado que mude.
Mas esse friozinho dentro do ônibus de volta pra casa...
Não há nada que mude, nem aqui fora nem lá em casa.
Só nesse vidro embaçado que desenho bolinha de gude.

Produção: 3 de Fevereiro de 2016.