terça-feira, 31 de maio de 2016

Contos marítimos

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Advinda de outra alma.
Advinda de outra vida.
Advinda de outra encarnação.
Suzana carrega emoção.
Tem o mar como carma.
Agora é Lorena, "pobre menina".

E as aspas não são à toa.
Suzana, dona do Mediterrâneo, Pacífico e Egeu.
Num barco, deixou livros contando guerras, sentada na proa.
E tudo foi Lorena quem escreveu.

Com 14 anos começou.
Só com 16 terminou.
Disso, foi vivenciar.
E coube a outra garota contar as mesmas estórias de cada mar.

Giovana nasceu literária.
E foi centenária.
Mas como todas, foi escrava.
No Mar Suzana, com peixes prosadores...
De quem ouvia cada palavra.

Produção: 25 de Maio de 2016.

domingo, 29 de maio de 2016

Encontro auri rubro

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Ela, guardava uma chuva vermelha.
Ele, guardava uma chuva amarela.
Se encontravam pelas esquinas.
Se olhavam pelos lábios, as veras.

Todo fim de expediente.
Encontro certeiro de Melinda e Vicente.
O segurança e a advogada.
Juntos pelos passos na calçada.

Passaram-se olhando por 2 meses.
Até que ela não aguentou.
Jogou o guarda chuva no chão e o beijou.
O chão ficou vermelho e o céu amarelo, percebestes?

Num clima auri rubro, o amor deu as caras.
Ou melhor, deu as cores.

Produção: 24 de Maio de 2016.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Sofia lunática

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Lua.
Vem cá.
Sou sua.
Assim como as estrelas.

Vamos brincar.
De pular corda na madrugada.
Ah! Esqueci de me apresentar.
Sou uma bailarina, Sofia, do meu sonho você é dona.

E não fique cheia.
Tenho que me equilibrar nas suas pontas.
Dar meus saltos de balé pela corda bamba.
Fique minguante, que serei sua plebeia.

Não bambeio.
Não acordo.
Só durmo.
Só sonho.
Em ter seu beijo.

Por isso, quero as pontas.
E pular na sua sombra.
Me sujar na terra cinza.
Que de longe ilumina.
Minha corda bamba.

Eae Lua, vem ser lunática.
Vem ser menina.
Vem ser Sofia.

Produção: 20 de Maio de 2016.

domingo, 22 de maio de 2016

Cabe aos gêneros

(Pedro Paulo Marra)


As saias usam gravatas, mermão!
As gravatas usam saia, meu bofe!
A dignidade não é por opção.
Muito menos por deboche.
É por ser capaz!

Para o bem.
Para o mal.
Para o que for sentencial.
O gênero se derrete no estereótipo, infeliz desdém.

Cabe ao senso do povo.
Cabe sim, a todos.
Enfim, todas as pessoas cabem.

Produção: 13 de maio de 2016.


terça-feira, 17 de maio de 2016

Versar

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Fazer poesia até que não é difícil.
O difícil, é não torná-la chata, complexa, complicada, redundante, prolixa e longa.
Melhor terminar de escrever o quanto antes possível.
Sem mais delongas.

Produção: 12 de Outubro de 2016.

sábado, 14 de maio de 2016

Meu eiXÃO

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Pedro Paulo Marra)

A mão dupla mais a faixa presidencial.
Juntam a minha paixão em ser Distrito Federal.
E no tronco da árvore chamada Eixão, colho os frutos.
De tesourinhas com ipês maduros.

Produção: 11 de março de 2016.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Dois passados, dois futuros

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

No salão do clube.
De frente para o passado.
Maximiliam e Hannah, já se amaram, época sem Youtube.
Quem dera o amor de ambos estivesse apaixonado.

Voltaram para outro tempo.
Meros românticos.
Espiões de seus futuros, 20 anos de tormento.
Max, 2 casamentos, 2 filhos. Hannah, casou-se 2 vezes, teve 1 filho.
Jogaram-se aos prantos.

O silêncio era opaco.
O salão juntava o tempo de adolescência.
Auge do namoro, interrompido por pura desobediência.
O cordão umbilical pertencia a outro namorado.

Assim como ela, Maximiliam interrompeu o laço.
Se separaram.
E dos filhos, sempre cuidaram.
E então, o salão Sandman (um nome massa) protagonizou o ato.

Só queriam se ver.
Como no baile de formatura.
Sem amassos, beijos ou ternuras.
Na mesma distância, nos mesmos perfumes.
Imagine você.

Produção: 10 de Fevereiro de 2016.

domingo, 8 de maio de 2016

SIm, é DÓ momento

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Pedro Paulo Marra)

Antes de você começar a ouvir.
Se ouça por dentro.
A ponto de, seu ponto M, sentir.
Pois ouça, de Dó a Si seu musicentro.

E por favor.
Me faça um grande favor.
Quando o ritmo da música, tocar.
Não fique parado...
Porque aí vem mais uma palinha.

Que é do momento.
Da música.
Mesmo que você não saiba cantar a música.
Na felicidade, será sempre um dançarino de talento.

E em nenhum momento ela é lúdica.
E para os acordes vocais, não peças permuta.
Batuque de meros objetos.
Magia de multidões num parque ou você sozinho no quarto, no chuveiro, com notas pelo ar...
Construindo um elo.

É assim.
Que a felicidade se dá em forma de dança.
Em forma de vozes, que viram afins.
Afinal, o batuque interno é quem comanda.

E é aquele som.
Aquela vibração.
Que você não tem noção o quanto é bom.
Pular, se mexer, acordear o vento através de uma só canção.
A sua, que é de momento.

É o instante em que os músicos param, e olham para vocês, lá do palco.
É o dado especificado momento do fato consumado.
Atingistes, o ápice.
Quem nos dera que a Lei do silêncio falasse.

Essa meus caros, é uma crise, de felicidade.

Produção: 1º de Maio de 2016.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

De pingo em pingo

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Pingo que pinga.
Pingo que pingou.
Pingo que não é de pinga.
Esse pingo de chuva, de final de semana, de feriado que me acalmou.

De ficar em casa pelos cantos.
De olhar para a janela e os verem cair.
Por nada, seus olhos quase caírem aos prantos.
E por muito, as nuvens carregadas de emoção, chorarem de rir.

O chuveiro do céu.
A cascata dos ares.
A cachoeira, às vezes cruel.
Molham, refrescam e até alagam lares.

Ora, vamos reclamar mesmo das gotas?
São Pedro não chora do céu.
Apenas rega os seres pela terra e boca.
Com pingos doces, quase de mel.

Então pingos.
De plofts e plins.
Continuem pingando de Domingo a Domingo.
Que janelas, gramas e asfaltos os estarão esperando.
Assim como, olhares afins.

Produção: 24 de Abril de 2016.