quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Última luz

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Jon Jacobsen)

Irradiado.
No meio do caos.
Terremoto de imensuráveis graus.
Quem foge é , o coitado.

Que já segurou firme na cortina, a rasgando.
No túnel criado pela destruição,
surge a mão,
que não vem só para ajudar.
Mas para levar...
A vontade de viver.

E não há um porque.
Nos pés descalços que corriam e brincavam na sala.
Impactou o barulho, caindo até a TV.
O suspiro surpreso com mão esticada, parecia ser,
mas era mesmo!

O divino cuidando do ser.
Imagine esse resgate, fechando os olhos.
Terá de ver no escuro pra crer.
Transpirando a escrita que existe dentro de você.

Produção: 28 de Agosto de 2016.

sábado, 27 de agosto de 2016

Despejo

(Pedro Paulo Marra)


(Foto: Divulgação)

Acordou na sina.
Foi para a pia,
molhou o rosto.
Escovou os dentes com gosto.
Pegou um papel.
Arrancou a folha do caderno numa raiva cruel.

Teceu a escrita.
Fez arte no branco.
Respirou fundo e caiu aos prantos.
Pois fez dos sentimentos, poesia.

Produção: 21 de Agosto de 2016.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Só vale amar


(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

O amor.
O amor.
Por favor, 
faça mais amor.
O amor está aí para ser usado.
Ganhar destaque, mesmo vindo do anonimato.

O amor é a parte mais bonita do ato...
De ser.
De querer.
De poder viver.
De aromatizar o ar.
E de namorar a vida.
Tão querida por quem dorme e acorda na pilha,
de amar.

Produção: 13 de Agosto de 2016.

domingo, 21 de agosto de 2016

Benção poética

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Obrigado senhor.
Por esse modo de ser,
de fazer e falar.
Obrigado mesmo, por ser poeta.
E dizer o pensar.

Produção: 11 de Agosto de 2016.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

7 pecados poéticos

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Disseram luxúria.
Ostentei alegria pura.
Disseram gula.
Comi com fartura.
Disseram avareza.
Escrevi com riqueza.

Disseram ira.
Mencionei a guitarra de Edgar Scandurra, quem não pira?
Disseram inveja.
E os invejosos, também chamei para as festas.
Disseram preguiça.
Joguei o desleixo pros urubus, igual carniça.

Agora, vim alegar de vaidade?
Faço mesmo poesia, por orgulho...
Pois essa é a melhor parte.

Produção: 10 de Agosto de 2016.

sábado, 13 de agosto de 2016

Marfabeto

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

No fundo do mar, consoantes, pontos, vírgulas e vogais...
Princípios de frases e orações ao som de gaivotas.
Batem as asas assim como batem as caldas.
A cada chuva, um novo alfabeto jorra,
e Gerúndio rema agudo no underline do Marfabeto.
Folheia a água literária, borbulhando os advérbios.

Se está com fome soletra c-o-m-i-d-a.
Com sede, á-g-u-a.
Mal de saúde, r-e-m-é-d-i-o.
Pode tudo, pois é o próprio dicionário.
Cuidador desse mar, produtor de provérbios.

Autor de um livro por dia.
Conta a maré com sua sinfonia.
Gerúndio Advérbio Consoante da Sílaba.
Dono das letras, e claro...
Da poesia.

Produção: 8 de Agosto de 2016.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Dama isolada

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Felícia.
Mata.
Felícia.
Mata.
Na mata ela está isolada.
Espalhando a pisada nas folhas.
Caça a mágoa.
Enquanto, a cada "crac" da folhagem cai uma gota de choro.
E vai sussurrando: "Imploro, imploro, socorro!".

Moça assustada.
Toda desajeitada.
Bruxaria impregnada,
quer ganhar vida.
Mas não lhe resta nada,
somente andar pela mata.

Num suor frio,
busca a saída.
Quer ser querida.
Não pela mata,
e sim, por sua namorada.
Presa noutra ilha.

Se olham pelos sonhos.
Se amam pelos pesadelos.
Dormem pelos cantos.
Tentando estreitar o zelo.

Cada uma numa ponta.
Com a mão no queixo.
Chorando folhas,
de desejo.

Infelizmente, vem só da mente.
A vontade.
O anseio.
O beijo,
até meio poético.
Porém, bem mais cético,
é o amor.
Que nesse caso, representa dor.

Produção: 8 de Agosto de 2016.

sábado, 6 de agosto de 2016

Casal urbano

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Minha carne na tua.
Minha pele na tua.
Com os corpos deitados na rua.
Entoando nossa poesia, nua e crua.

O material vira banal.
Nossa construção tem um só alicerce.
E vê se não esquece!
Nosso amor não está apenas no cerne,
ele vai até o final.

Ele é mais importante que uma capa de jornal.
Ele transcende o caos.
Mas não há nada de mal.
Sentirmos o vento.
E é nesse momento,
que elevamos o grau.
Fazendo da rua nosso sarau.

Produção: 1º de Agosto de 2016.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Interface poética

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Produção)

Espelho, espelho meu.
Existe poesia mais bonita que a minha?

Espelho, espelho meu.
Existe rima mais rimada que a minha?

Espelho, espelho meu.
Existe história mais bem contada que a minha?

Espelho, espelho meu.
Existe mesmo alguém melhor nos versos do que eu?

Espelho, espelho meu.
Existe outro eu?

Espelho, espelho meu.
Existe outro modo de ser poético, que escreve o bonito e o correto?

Espelho, espelho meu.
Na poesia, outra alma de Drummond por aí apareceu?

Espelho, espelho meu.
Na vida, esse ser melhor sou eu?

Só sei que a poesia de nada sabe, muito menos eu.
E ela não é melhor do que ninguém.
Apenas simplifica a vida sem precisar de amém.
Pois na religião, os poetas são deuses...
Dos versos.